quinta-feira, 31 de maio de 2012

QUEM É QUEM?

Nesta rua
OS PERSONAGENS 
ganham vida
brincam juntos
crianças-personagens
personagens-crianças
quem é quem?






sábado, 26 de maio de 2012

ALIENADO E ALIENISTA¹

"_ Nada tenho que ver com a ciência; mas se tantos homens  em quem supomos juízo são reclusos por dementes, quem nos afirma que o alienado não é o alienista?" (O Alienista, Papéis Avulsos)




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¹LÚCIA LEITE R P LOPES. Machado de A a X: um dicionário de citações. SP: Editora 34, 2001.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

FAMÍLIA¹

Todo mundo na minha casa
é de uma fragilidade forte.

Pai-pão
Mãe-mão
Ambos água e sal.

Todo mundo na minha casa
é poeta que não sabe que é.

Todo mundo na minha casa
é guerreiro.

Na minha casa tem flor rara - tem papoula.
Tem luz e mar.
Tem sol e lã.
Tem silêncio e sede.

Todo mundo na minha casa é novelo e rede.
Amor-maçã.


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¹MICHELINE LAGE. Leitura em Braile. Ilustração, DÉLCIO BATALHA. MG: Orobó Edições, 2005.

JOGO¹

Adoro brincar
Mal-me-quer, bem-me-quer, mal-me-quer,
Bem-me-quer.
Que te darei essa noite?
Rosa, camélia ou orquídea?
Serei o perfume mais delicado
A pétala mais macia
O sabor mais sutil
Quente, transcendente
A cor mais sagrada, profana ...
Lilás?
Te dou hoje uma orquídea.

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¹MICHELINE LAGE. Leitura em Braile; Ilustração, Délcio Batalha. Minas Gerais: Orobó Edições, 2005.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O QUE VOCÊ QUER SER QUANDO CRESCER?

Mensagem acerca da importância de sonhar, ter fé e acreditar no amor.
Você tem sonhado com o quê? 

sexta-feira, 18 de maio de 2012

BRASÍLIA de A a Z: O OLHAR DE TRÊS GERAÇÕES¹




SÉCULO XXI

Pai e filho visitam pela primeira vez a Capital Federal fundada em 1960. Para chegar ao destino, percorrem a cidade numa corrida de táxi. No caminho, descobrem uma Brasília cheia de histórias. E você também é convidado a conhecê-la. Bom passeio.
(...)

EIXÃO

Entre o Eixão e os Eixinhos, floram os ipês-amarelos, enchendo de cores os olhos dos dois visitantes. Durante todo o ano, o Eixão ganha um colorido diferente. A cada mês floram: barrigudas, mangueiras, bougainvílea, ipês-roxos e flamboiãs entre outras árvores de grande porte.
- Todo domingo o Eixão é fechado aos carros para que a população possa caminhar, correr, pedalar e se divertir, praticando um pouco de esporte. É que a pista margeia grande parte dos apartamentos de Brasília – informa Bernardo, o taxista. (...)

- E como se faz para atravessar de um lado para o outro sem cruzar o Eixão? – pergunta Marcos, interessado pela engenharia de trânsito da cidade.
- A partir dos Eixinhos, a gente trafega pelas Tesourinhas e passa por baixo do Eixão.
Então o pai se lembra de perguntar ao taxista:
- É verdade que por aqui todo motorista para na ...

FAIXA DE PEDESTRES?

- É sim, senhor. Brasília é conhecida no Brasil inteiro por essa atitude. Basta o pedestre fazer o sinal de segurança para que os carros parem antes da faixa, dando preferência para o cidadão.

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¹ TINO FREITAS. Brasília de A a Z: o olhar de três gerações. Ilustração, Kleber Sales. São Paulo: Editora Salesiana, 2010.

terça-feira, 8 de maio de 2012

A HISTÓRIA COMO FONTE TERAPÊUTICA¹

CONTAR HISTÓRIAS É EDUCAR, abrir novos caminhos, não é uma prática inútil. Embora as histórias possam ser permutadas, situações em que duas pessoas as trocam entre si como uma dádiva de uma para outra, na maioria das vezes essas pessoas se conhecem bem; desenvolveram, se já não trazem consigo, uma afinidade ou um relacionamento fiel. É assim que deve ser.


Embora alguns utilizem as histórias apenas como divertimento, elas são, em seu sentido mais antigo, a arte da cura. Alguns são atraídos por essa arte terapêutica. Os melhores, a meu ver, são aqueles que se identificam com a história e a encontraram com todas as suas partes combinatórias no fundo de seu ser. Eles têm um conhecimento excepcional e inato sobre como identificar o remédio, como obter, preparar, aplicar, administrar, repetir a dose de tempos em tempos, e quando deixar de usá-lo.

Ao lidarmos com histórias, estamos lidando com energia arquetípica. Os arquétipos nos mudam e, se não houver mudança, não houve um verdadeiro contato com o arquétipo. A energia arquetípica recruta aquele que a manipula, requer alguma proteção psíquica e frequentemente impõe um descanso depois. Por isso, a narração de uma história é uma responsabilidade muito grande. Nos melhores narradores que conheço, as histórias brotam de suas vidas como as raízes brotam das árvores.

Nem toda história é terapêutica.


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¹ trecho colhido do livro Histórias Sagradas: Uma exaltação do poder de cura e transformação;  organização, Charles Simpkinson & Anne Simpkinson; tradução, Ione Maria de Souza;  Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2002.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

CIDADE LIVRE¹


    Quarta Noite: Lucrécia


Sabe que já existe uma Brasília?, Perguntou a papai quando partiam no jipe, É para lá que vamos, papai respondeu, Brasília é o asteroide número 293, que em 1956 havia sido descoberto há sessenta e seis anos; duas vezes o número seis, seis e seis, não é por acaso; tem cinqueta e cinco quilômetros de diâmetro, cinco e cinco. Fez uma pausa, e ouvia-se apenas o barulho do motor do jipe e dos pneus nos buracos da estrada. Você sabe que na Chapada dos Veadeiros, no Alto Paraíso de Goiás, existe uma base de naves interplanetárias? É?, quem lhe contou?, perguntou papai, sorrindo, Por que você está me levando para tão longe nesta estrada esburacada?, eu esperava outra coisa, até tinha trazido uma surpresa pra você, Você vai gostar, até o presidente às vezes vem às festas da Casa Preta, pois lá moram uns engenheiros mineiros ligados a ele, explicou papai, Eu quero encontrar o presidente, ele é o faraó egípcio Akhenaton, da décima oitava dinastia, afirmou Lucrécia, categórica. JK ia construir não apenas uma cidade, mas uma civilização. O faraó, que governara entre 1353 e 1335 antes de Cristo, havia criado do nada, como em Brasília, a primeira capital planejada, Akhenaton.

O conhecimento de Lucrécia não era infundado, papai pensou, alguém tinha-lhe dito que JK fizera uma visita ao Egito em 1930 e comentara entre amigos que a admiração que sentira por Akhenaton na mocidade poderia ter alimentado seu ideal de construir Brasília.  


 ¹ Trecho colhido do livro CIDADE LIVRE, de JOÃO ALMINO. Editora RECORD, Rio de Janeiro, 2010.

domingo, 6 de maio de 2012

A VIAGEM DE RETALHOS¹





Para embarcar nesta viagem de retalhos, você tem que aprender a sonhar acordado, a mergulhar, com muita coragem, no desconhecido, no que se esconde atrás dos horizontes. Você tem que dar asas à sua imaginação ...

A viagem mais bonita que eu já fiz aconteceu dentro de uma casa, no bairro de Itapagipe, em Salvador, na Bahia.

Eu devia ter uns sete anos de idade. A minha avó, vovó Candinha, morava com a gente. De vez em quando, ela saia para passear e me levava com ela. Naquele dia ela avisou a mamãe, bem cedinho:
- Hoje de tarde vou visitar as Cardoso, estou devendo uma visita!
Vovó me convidou para ir junto e eu aceitei.

Eu gostava muito delas. Eram duas velhinhas muito simpáticas, uma se chamava Cotinha e a outra, Emerenciana. A casa delas era muito divertida, cheia de bichos, e sempre me ofereciam doces gostosos.


 ¹ Trecho colhido do livro A VIAGEM DE RETALHOS; Autora SÔNIA ROBATTO; Ilustração IONIT ZILBERMAN; Editora POSITIVO, Curitiba, 2009.




quinta-feira, 3 de maio de 2012

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O DESENHO DO TAPETE¹


(...) " ... só para apressar este parto difícil, o senhor não poderia me dar uma pista?" Eu estava bem mais à vontade.
"Todo meu esforço consciente consiste em dar pistas - em cada página, cada linha, cada letra. A coisa está tão concretamente presente quanto um pássaro numa gaiola, uma isca num anzol, um pedaço de queijo numa ratoeira. Está dentro de cada volume, tal qual como seu pé está dentro do sapato. Governa cada linha, escolhe cada palavra, põe o pingo em cada i, coloca cada vírgula."

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¹ trecho colhido do livro A Morte do leão: histórias de artistas e escritores, autor HENRY JAMESCia. das Letras , São Paulo, 1993.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O ALIENISTA NO DIVù


Moacyr Scliar

Em “O ALIENISTA”, Machado de Assis introduz-nos à figura do doutor Simão Bacamarte, médico que viveu, diz-nos o autor (e certamente para evitar confusões com médicos contemporâneos) em “tempos remotos”. Formado em Coimbra, o doutor Bacamarte, que se considera um expoente da ciência, regressa à sua cidade de origem, Itaguaí, onde resolve dedicar-se à doença mental, tornando-se um alienista, isto é, um médico de alienados, de loucos.
(...)
Contemporâneo de Machado de Assis, Sigmund Freud certamente não teria acesso a “O Alienista”. À época, o escritor brasileiro não era conhecido no exterior, e portanto não existiam traduções de suas obras. Mas então interveio o acaso, na pessoa de meu bisavô. Judeu alemão chegado ao Brasil em 1924, ele era um homem letrado, fã de Machado de Assis e fã de Sigmund Freud. Muito rico, mas também muito neurótico, torturado por obsessões, decidiu tratar-se com o pai da psicanálise. Para isto viajou a Viena; conseguiu marcar uma consulta com Freud, que recebeu-o muito bem; e resolveu admiti-lo como paciente.

O tratamento durou um ano e neste período os dois tornaram-se amigos. Conversavam muito, sobre literatura principalmente; numa dessas conversas, meu bisavô falou a Freud sobre Machado de Assis e sobre “O Alienista”. Instantaneamente interessado nesta obra, Freud pediu a meu bisavô que a traduzisse para o alemão e leu-a mais de uma vez. Mais tarde, quando meu bisavô já havia regressado ao Brasil, escreveu-lhe uma carta comentando a narrativa, uma carta que eu conservo. Diz o pai da psicanálise: “Pareceu-me particularmente interessante o final da narrativa. Acho que, entregue ao estudo e à cara de si mesmo, o doutor Bacamarte poderia, de alguma forma, ter reproduzido o processo de auto-análise pelo qual eu passei”. E conclui, ironicamente: “Ele apenas necessitaria de um divã igual ao meu”.

Divã o doutor Bacamarte tinha. E tinha também o porão. A morte interrompeu sua trajetória. Mas a possibilidade fica: será que a psicanálise não foi descoberta na abandonada Casa Verde, em Itaguaí?


¹ MOACYR SCLIAR e outros. Um homem célebre: Machado de Assis. São Paulo: Publifolha, 2008.